Parametrização Inicial
A primeira estratégia de parametrização apresentada em aula consistiu na transformação do modelo gerado por meio de variáveis globais, das quais derivavam um conjunto de equações que correspondem às diferentes medidas utilizadas ao longo dos diferentes sketches. Finalmente, a partir deste mesmo modelo é ainda possível criar uma design table, com recurso à qual podem ser obtidas diversas configurações de um mesmo modelo, consoante os parâmetros alterados. Todo este processo é explicado com maior pormenor em seguida.
Antes sequer de ser iniciado o processo de modelação, procurou-se obter uma lista de todas as variáveis globais que entrariam no processo, e que um utilizador externo poderia desejar alterar para melhor adaptar o modelo da asa às suas necessidades. Tendo ainda em mente a mencionada situação de um utilizador externo, fizeram-se os possíveis para reduzir a lista de variáveis a parâmetros comummente associados a uma asa, como o ângulo de enflechamento (sweep angle), a sua envergadura... uma vez que a proposta atual para o fabrico da asa envolve o recorte da forma da mesma em EPS e posterior revestimento com recurso a fibra de carbono, parâmetros típicos relacionados a uma estrutura de nervuras e longarinas não foram considerados.
A imagem seguinte apresenta um resumo das diferentes variáveis globais consideradas.

Da conjugação entre os nomes destas variáveis globais e o seu posicionamento na figura acima, é fácil perceber o parâmetro que cada uma irá alterar. Somente uma variável não surge acima visada, a 'length_topplane_axis' que representa o offset entre o eixo do flap e o plano superior, sendo este o plano normal à direção de observação da imagem. Juntamente com o 'flapaxis_tip', esta variável é responsável por ditar a posição que o eixo do flap irá ocupar.
Tipicamente, é outro o método utilizado para o posicionamento do eixo dos flaps. Todavia, a automatização do referido processo com a ajuda de variáveis globais seria bastante complexa, pelo que se utilizou ao invés disso a aproximação mencionada. Tendo em consideração que o objetivo principal é a aplicação de ferramentas de parametrização em si, e que a complexidade do processo não iria contribuir em nada para essa vertente, considera-se que a aproximação é suficientemente válida.
O modelo CAD obtido apresenta todas as suas medidas como uma função da origem e de diferentes variáveis. Deste modo, procurou-se assegurar que quaisquer alterações minimamente credíveis realizadas no futuro não conduziriam a erros por causa de eventuais geometrias alteradas, faces inexistentes, ou outras complicações que tais.
O processo de modelação da asa foi cuidadosamente pensado de modo a não existir, em qualquer momento, dependência de pontos e/ou entidades externas ao sketch em que se estivesse a trabalhar no momento. Ou seja, o modelo CAD obtido apresenta todas as suas medidas como uma função da origem e de diferentes variáveis. Assim, desde que os valores introduzidos para as variáveis acima mencionadas sejam aceitáveis, não deverá existir qualquer interferência devido, por exemplo, a pontos ou faces que entretanto tenham deixado de existir.
Esta autonomia, todavia, implica a utilização de diversas equações - 18 no total. E apesar de algumas serem bastante simples - muitas vezes equivalendo a uma única variável - outras equações são compostas por relações entre variáveis que seriam bastante cansativas de calcular sempre que houvesse a necessidade e alterar algum valor.
Surge esta questão no âmbito da criação de uma Design Table que possibilite a obtenção de configurações distintas para a peça desenvolvida. Retome-se o caso do utilizador externo. Obviamente, preencher uma tabela com 18 incógnitas - algumas das quais necessitam de cálculos à priori - ser-lhe-ia bastante menos intuitivo do que preencher uma tabela com 11 incógnitas que correspondem, na sua maioria, a parâmetros comummente utilizados.
Nesse sentido, realizou-se uma procura da fórmula a inserir na Design Table para que se pudesse realizar essa alteração direta das variáveis globais:
$VALUE@global_variable@equations
Nesta, basta substituir o texto a amarelo pelo nome da variável que se pretende introduzir.
Em seguida, são apresentados algumas das configurações obtidas com recurso à Design Table desenvolvida:
A utilização de variáveis globais é uma prática bastante útil, que permite a realização de modificações fáceis e simples de aspetos geométricos que, de outra forma, poderiam ser difíceis de encontrar na árvore de projeto. Apesar de ser um recurso com o qual já tínhamos alguma experiência, nunca antes tínhamos tentado construir um modelo de raiz somente em função de um conjunto de variáveis globais. Nesse sentido, consideramos que foi um exercício interessante, embora a sua utilidade seja limitada a modelos mais simplistas. Quando as peças que estão a ser desenvolvidas são demasiado complexas, com dezenas de sketches e métodos de modelação bastante distintos envolvidos no processo, não justifica introduzir todas as medidas em função das variáveis,
Considerações similares aplicam-se às Design Tables.
